Ação por uma nova democracia

Militando na política partidária há 10 anos, o suplente de deputado estadual Raoni Mendes (DEM) conversou com o Correio sobre o movimento de renovação da política que vem sendo desenvolvido em todo o País, através de várias lideranças inseridas em diversos campos ideológicos. A Rede de Ação Política pela Sustentabilidade (Raps) surgiu em 2012 com o objetivo de contribuir para o aperfeiçoamento da democracia com apoio à formação de lideranças políticas. Na Paraíba, o democrata atua na descoberta de jovens promissores dentro dessa necessidade de uma política centrada no bem comum e combate às más práticas que colocaram em descrédito as atividades eletivas. Também revela um pouco de sentimento de ter eleição certa em 2014 para Assembleia Legislativa atrapalhada por um excedente de R$ 80 numa doação em 2010.

 

Política atual. Vejo um momento político importante, porque a decepção, a indignação causam no ser humano o desejo de transformação. Não pode trazer a falta de esperança, pois muitos encontram na política a forma de transformar a sociedade. Eu vejo que é um momento muito oportuno para o Brasil e para a Paraíba, para todos nós como sociedade, como comunidade, em querer colocar alguém que possa verdadeiramente representar os valores que acreditamos. É um momento único, pois a democracia é muito recente em nosso país e eu não vejo outro instrumento senão a política para poder transformar a sociedade. Qual seria outro instrumento? Não enxergo. O papa João XXIII dizia que a política é a forma mais sublime de praticar a caridade. Por isso, nesses dez anos de atividade, militância e missão política eu tenho encontrado razões para continuar. O país precisa de todos nós para estarmos colocando os nossos nomes para oferecer nossas ideias de uma forma que não tenhamos que nos omitir ao processo, seja apresentando o nome para a disputa ou escolhendo aqueles que irão nos representar, através do voto.

Liderança da Raps. Acredito que a troca de experiência faz renovar as forças. Imagine que se fosse um só nadando contra essa corrente que vivenciamos, com a má política, a gente talvez desanimasse. Eu já pensei em alguns momentos em deixar de lado a política e deixar que a sociedade se responsabilize por aquilo, mas o grau de entrega é tão forte que hoje eu faço, participando da Raps, por exemplo, uma interação de ver o Brasil querendo mais ética, mais transparência, mais atitude, menos discurso, a mudança na pratica e não na fala, pois é muito fácil falar de temas como segurança, por exemplo, mas o que eu fiz para melhorar isso? Falar de educação, de saúde, mas saber de que forma estou colaborando para melhorias. Na Raps fui selecionado entre 1038 inscritos, no Brasil inteiro, e eu quero honrar esse privilégio. Assinei uma carta de compromisso juntamente com as mais de 500 lideranças raps no país que buscam se pautar pela ética e pela transparência, e a sustentabilidade naquilo que realmente faz sentido para a população. Tenho que pensar no hoje e no futuro daqueles que virão.

A Raps começou um treinamento de formação para quem já é candidato esse ano e no momento estamos seguindo para um segundo passo que é o de compartilhamento e capacitação para o processo eleitoral. Nós temos uma bancada de formação de advogados, de cientistas políticos e o objetivo é me capacitar para ofertar o melhor trabalho para a população. Tivemos projetos de nossa autoria ainda quando no mandato de vereador, sendo discutido nacionalmente, como o do IPTU proporcional e o projeto de lei de responsabilidade da Educação. Essa interação interfere positivamente pela capacitação que ele oferece. Lá nós temos quase a totalidade das representações partidárias, de diferentes ideologias – do campo da direita e da esquerda – que querem convergir para um diálogo sincero, franco e pensando na sociedade como um todo.

Descrédito político. Eu atribuo o descrédito da atividade política junto à sociedade principalmente à corrupção. Da pequena, que vemos no dia a dia, à maior, que é que nós estamos assistindo. Ficou muito claro os níveis de corrupção, de Brasília até chegar a todos os estados brasileiros. Como era o modus operandi da má política, como atuavam. Há um descrédito muito grande, além de uma dificuldade no dia a dia. A população ainda pensa que os políticos foram eleitos e estão ali para lhe representar, principalmente no parlamento, para pagar uma conta de água, uma conta de luz ou para favores pessoais. Elas não pensam no bem comum para a sociedade. Eu posso até lutar por uma causa individual, mas para atender um bem coletivo, de todos. Por exemplo, aquele problema de saúde de Dona Maria, se existe, com certeza esteja acontecendo com toda a sociedade. A partir do momento em que ela seja atendida e todos também possam ser atendidos, estou cumprindo meu papel. Agora, se após Dona Maria ser atendida e ela precisa voltar a mim para comprar o remédio, então estou fazendo a mesma prática política de quem roubam milhões. Estaria fazendo um assistencialismo pequeno, uma pequena corrupção para que você pense quando for votar lembrar-se de mim e votar. A dependência exclusiva dos votos faz com que os políticos façam de tudo para tê-lo e nessa hora é que a má política aparece, pois você fica na dependência dessas ações de troca para se eleger.

Partido. Eu tenho sido defensor de que nós pudéssemos ter a candidatura avulsa, sem a necessidade de filiação partidária. Enquanto no Brasil o modelo exige um partido, dentro da Paraíba, o deputado federal Efraim Filho tem feito um papel muito significativo e por isso eu sinto muito a segurança no meu partido a nível estadual. A nível nacional, eu vejo que temos alguns problemas a serem resolvidos, mas espero que na gestão da nova presidência, assumida por ACM Neto (Antônio Carlos Magalhães Neto), ele possa mostrar a cara nova do partido, porque em outrora o DEM foi muito demonizado por um processo que ocorreu anos atrás. Assim, como eu não quero que meu filho pague por eu ser político, não posso pagar os erros cometidos no Democratas no passado. Eu quero o partido renovado, vou continuar e contribuir para que ele seja oxigenado. Os políticos estão mais atentos a essa realidade. Não é o que eu quero ou penso, é o que a sociedade quer. Eu acredito que vai ter uma grande mudança e tenho confiança na legenda nesse aspecto, a nível Paraíba.

Eleição 2018. Eu acredito que as dificuldades da política vão contribuir para depurar os candidatos no pleito desse ano. Ou seja, vai ter que haver muito convencimento. Existem sim aqueles que são dependentes, principalmente no interior, do emprego público. Esses talvez por gratidão por ter tido a oportunidade de trabalho deverão permanecer votando com a sua estrutura municipal, nos seus candidatos. Mas, não tenho dúvidas nenhuma que se levanta um povo que avalia o cenário político de uma forma política bem diferenciada e bastante exigente. Isso para mim, como pré-candidato que sou, já estou apresentando minhas propostas, construindo mais propostas com diversos segmentos da sociedade, é muito importante que esse povo se levante. Pois, muitos estavam estagnados e não iam para a ativa, ficava muito restrito as suas redes sociais. Acho importante estimular candidaturas novas e a participação de jovens, porque não há mudança significativa. Vejo sim uma grande oportunidade de escolhermos bem aqueles que vão nos representar nessas eleições.

Estadual. Eu quero crer que o paraibano veja aquilo que foi conquistado por ele. Nós tivemos um avanço significativo, por exemplo, da espera em 2017 de ter um déficit orçamentário e termos um superávit. Espero que os investimentos continuem, que a cadeia produtiva, os empresários se envolvam de forma que possam gerar mais empregos, confiem no nosso estado para investimentos. Desejo que a população reconheça a importância da continuidade desse trabalho que vem sendo implementado na Paraíba e participem. Quando se discute a peça orçamentária, que é o orçamento de todo o Estado, pouquíssimas pessoas participam. Estamos em um bom momento, apesar das dificuldades e a Paraíba precisa avançar cada vez mais no setor produtivo.

 

Novos eleitores. Em 2016 como tive a oportunidade de ascender e assumir a Assembleia Legislativa, no trabalho que realizo dentro da Igreja Católica, eu consegui que alguns pudessem ascender como candidatos a vereador em seus municípios. Não era a motivação de ganhar, mas para deixar a sua marca, ideia e sair do comodismo. Tivemos diversas candidaturas no Brejo, no Sertão e no Cariri. Essas pessoas estão ativas na política. Um ganhou, muitos perderam. Tenho estimulado no sentido de que percebam que a política é para todos.

 

Político cristão. Quando você assume algo por missão, por exemplo, eu não sou empresário, se eu terminar minha carreira política, eu não tenho dificuldade nenhuma de recomeçar a minha estrutura familiar. Não tenho medo disso. Tenho uma história junto à Igreja de 22 anos. Já enfrentei em 2006 na minha primeira candidatura, todas as desconfianças possíveis e inimagináveis. Dentro de casa, quando meus pais diziam que eu era uma pessoa boa, da igreja e se envolver com política. Além das pessoas de fora, que me aconselhavam a não me envolver. Eu tenho uma missão no EJC, nos grupos de adolescentes, no ECC. Essa história não pode estar desassociada porque é o meu sustento para negar qualquer má política que me venha a ser apresentada. Se não fosse os princípios e valores que eu acredito e que a comunidade me forma, e que eu possa chegar nela para fazer uma pregação, dar uma palavra, independente de política. Eu não deixo meus compromissos com a igreja pela atividade política. Ela espera. A missão política eu faço com esse compromisso cristão, sem ser um discurso religioso, mas que possa pontuar princípios e valores que a sociedade tanto deseja.

Pleito de 2014. Acredito que tudo é permissão de Deus para me colocar no devido lugar. Óbvio que uma doação de R$ 80,00 não poderia interferir da forma como interferiu em 2014, já que eu disputei 2012, pois essa doação tinha sido em 2010. O que aconteceu que em 2012 eu pude e em 2014 eu não pude? Atrapalhou muito esse processo, mas mesmo assim eu tive quase 14 mil pessoas confiando até o último dia, mesmo você tendo ali liberado a sua candidatura com uma semana antes, as pessoas confiaram o voto. Me sinto honrado por essa confiança, porque independente do que a Justiça disse essas pessoas foram lá e depositaram os votos, que poderiam ter sido mais. Passado todo esse processo, assumi a Assembleia Legislativa, retornar como suplente, eu vejo que Deus me permitiu ser formado dentro de um sofrimento, pois fiz a opção de não disputar a eleição em 2016 e confiar na suplência – um nada. Hoje estou atuando confiante de que meu trabalho possa contribuir para a sociedade. Passei por um momento doloroso, mas de muito aprendizado, onde pude reconhecer quem verdadeiramente está comigo. Tive 14 mil pessoas comigo se fosse ou não candidato. Tanto é que meus votos só puderam ser inseridos uma semana após o pleito.

 

Matéria: Jornal Correio da Paraíba